Jornalismo verdade O clone perdido
Mai 26

“Conheci a jornalista Carolina Costa na seção Da Redação e entendi o motivo de não publicarem mais só matérias de cachorros. Parabéns!”

Em onze anos de jornalismo, é a primeira vez que um leitor me “conhece”. Trabalhei a vida toda em jornais e revistas sempre tão sérios que o máximo que poderia receber de retorno seria um comentário genérico sobre a reportagem da edição de abril ou a respeito da entrevista “instigante com o representante da Unesco no Brasil”. E olhe lá.

Faz um mês que trabalho numa revista popular. Temas como a porcentagem de investimento do PIB chinês em educação ou a análise psicológica dos contos de fadas agora dão espaço para matérias com dicas para educar os filhos, manter o casamento quente, cuidar dos cães ou mudar a decoração da sala com R$ 50.

Escrevo para uma leitora cujos maiores sonhos são ver o filho na faculdade e uma geladeira nova na cozinha. Gente que faz economia para comprar um Danette, que toma três ônibus e um trem para ir ao trabalho e que fala dos personagens da novela como se fossem velhos conhecidos.

Duzentas mil leitoras agora me lêem semanalmente. Compram a revista AnaMaria por R$ 1,99 em busca não só de informações mas também de atenção, acolhimento e valorização. Querem um descanso para a semana puxada. Querem reconhecimento por sua dedicação à família. Querem renovar as esperanças.

Escrevo para elas como se conversasse com minha mãe: de maneira simples e carinhosa. Vai ver, é por isso que tenho tanto medo de cometer algum erro. Já pensou no tamanho da bronca de 200 mães?

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Autor: Dilneiss

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